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Stress: a ameaça dos novos tempos?


Todos nos queixamos do stress, mas não podemos viver sem ele. Fundamental para a sobrevivência, pode ser positivo ou negativo na perseguição de objectivos. Estar atento aos sintomas do stress negativo pode evitar muitas doenças graves.
Nos dias que correm, todos temos consciência generalizada do stress. Não há pessoa ou media que não invoque, justifique, esconjure ou até reconheça interesse, em medida certa, ao stress.
Mas, talvez, não tenhamos um conhecimento correcto do que é o stress. Tanto pode ser algo “traumático” que do meio externo ou interno nos atinge, como o conjunto das consequências provocadas no organismo pelo dito agente. Mais ainda: pode ser algo indefinido e indicador de um mal-estar físico, mental, social e até moral. Por isso, tanto se ouve “vivo num stress constante” ou, ainda, “Tenho um stress incontrolável”.
O stress é um estádio de combate “corpo-a-corpo” entre o que eu tenho vindo a ser – a minha individualidade: em formação, incompleta, em devir – e o meio (externo e interno), que sujeita a novos exigências, desafios e ameaças, tensões, sobrecargas e obstáculos, a exigirem superação ou a provocarem claudicação.
Por isso, todos estamos em stress (se não, estávamos mortos). O que temos, amiúde, são as consequências físicas e psíquicas, pessoais e sociais, desse estado; quando nóxicas – aquelas a que vulgarmente nos referimos – dão sofrimento e muitas vezes doença.
Sublinhe-se, contudo, que as situações de stress superadas – organizadoras do nosso crescimento e da nossa identidade – são quase sempre agentes de saúde e, de certeza, garantes da nossa experiência e maturidade emocional.
Quando as acções de superação (mecanismos de coping ) não são bem sucedidas, surgem as consequências fisiológicas e psicológicas – cognitivas, emocionais, volitivas ou comportamentais – enquanto resposta inespecífica do organismo aos acidentes/acontecimentos existenciais da vida.
Os agentes indutores do stress – o próprio termo sugere carga e estímulo – remetem, quase sempre, para velocidade, aglomeração, falta de tempo, tráfego, poluição, ruído, catástrofes, ou seja, factores externos, mecânicos e urbanos. Mas a humilhação, a opressão a restrição da liberdade são, sobremaneira, fontes maciças de stress.
Numa descrição não sistematizada, os seguintes agentes indutores de stress são importantes: (1) processamento acelerado da informação; (2) estímulos traumáticos; (3) sensação de ameaça; (4) alterações fisiológicas – doença, dor, insónia, imobilidade; (5) isolamento; (6) repressão e humilhação; (7) pressão grupal; (8) frustração e conflito; (8) ameaça aos valores e objectivos; (10) falta de controlo.
Hoje, em menos de três dias, manipulamos o mesmo número de acontecimentos, estímulos e agentes de stress com que os nossos avós lidaram ao longo de todo um ano.
Em pouco mais de três meses, com o que eles vivenciaram uma vida inteira. Este aumento dramático de ocorrências impõe-nos o sentido do iminente e do imediato, pois não há estímulo suficientemente remoto nem lugar suficientemente seguro e inatingível.
Multiplicam-se as experiências para um mesmo tempo de decisão e o esforço de controlo, avaliação e discriminação da informação recebida é constante.
Contudo, não são as coisas do mundo material que nos atingem, mas a sua representação. Ao estado de activação provocado pelo sentido do iminente, aliamos paradoxalmente a relativa ausência de ameaça.
As respostas prontas e as decisões apropriadas vacilam, e, incapazes e impedidos de resolver fisicamente e mentalmente o dilema da luta ou da fuga consequentes, vivemos (n)um estado suspenso de alerta constante e crónico; e o que não ex-plode, im-plode em descargas no organismo.


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